sábado, 13 de junho de 2009

EIDOS INFO-ZINE # 17

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Editorial

Caros Amigos,


No seu número 17, o Eidos traz a publicação de um excerto do livro “Anarco-Sindicalismo (teoria y prática)” de autoria de Rudolf Rocker, onde este anarquista analisa a idéia de conselhos operários, procurando mostrar a sua filiação libertária. Traz também um artigo de Marcolino Jeremias apresentando uma breve síntese da vida e obra do historiador Edgar Rodrigues, que faleceu recentemente e deixou uma profunda tristeza nos meios anarquistas. Logo em seguida tem o artigo de Fernanda Caroline de Melo Rodrigues, que discute a relação aluno-professor a partir das questões suscitadas pelo problema do chamado “fracasso escolar”. Além destes trabalhos, o Eidos apresenta uma resenha de L.G.S. sobre o brilhante livro que Alexandre Samis publicou a respeito da biografia histórica de Neno Vasco. E mais... notícias libertárias.

Boa leitura e anarquizem!

Contatos

Fernanda Caroline de Melo Rodrigues: fernandaanarquista@yahoo.com.br
Thiago Lemos Silva: thiagobakunin@yahoo.com.br



A idéia de conselhos operários


Esta nova e frutífera idéia brotou do reconhecimento de que toda nova forma de vida econômica deve ser acompanhada de uma nova forma política de organização social, e somente assim pôde chegar a ter expressão prática. Por conseguinte, o socialismo deveria ter também uma forma especial de expressão política por meio da qual pudesse se transformar em uma coisa real, e acreditaram ter encontrado essa expressão em um sistema de conselhos operários. Os países latinos, que é onde a Internacional encontrou maior apoio, desenvolveram seu movimento com base na luta econômica e nos grupos de propaganda socialista, trabalhando segundo a orientação dada pelo congresso da Basiléia em suas resoluções.
Como viam no estado apenas o agente político e o defensor das classes possuidoras, não se esforçaram para a conquista do poder político, já que viam neste, com um instinto certeiro, a condição prévia indispensável para toda opressão e exploração. Quer dizer, não optaram por imitar as classes burguesas, nem organizaram um partido político que preparasse o terreno para uma classe de políticos profissionais cuja meta fosse a conquista dos poderes do governo. Entendiam eles que ao mesmo tempo em que o monopólio da propriedade fosse destruído, o monopólio do poder também o deveria, com o objetivo de dar rosto completamente novo à vida social. Partindo da convicção de que o domínio do homem sobre o homem havia terminado, buscavam uma maneira de se familiarizar com a administração das coisas. E por esse motivo, opuseram a política estatal dos partidos, a política econômica dos trabalhadores. Acreditavam que a reorganização da sociedade segundo um modelo socialista, devia ser levado a cabo por meio dos diversos ramos industriais e agrários da produção. Desta visão nasceu a idéia de conselhos operários.
Essa é a mesma idéia em que se inspiraram os vastos setores do proletariado russo da indústria e do campo nos começos da Revolução, por mais que nunca tenha sido tão clara e sistematicamente concebida o quanto foi nas sessões da Primeira Internacional. Mas o bolchevismo pôs bruscamente fim a esta fecunda idéia, pois a ditadura do proletariado se coloca em uma contradição irreconciliável com a concepção construtiva dos conselhos operários, quer dizer, com a reconstrução socialista da sociedade pelos próprios produtores. A tentativa de combinar as duas coisas pela força, tem tido como resultado essa burocracia sem alma, que se revelou tão desastrosa para a revolução na Rússia. O sistema de conselhos não tolera nenhum tipo de ditadura, pelo fato de ambos se embasarem em conceitos diametralmente opostos. Ele implica a vontade nascida dos debaixo, a iniciativa criadora das massas laboriosas. Sob a ditadura, em troca, só existe a vontade estéril que parte dos de cima, que não consente a atividade criadora e que proclama a submissão cega como lei suprema para todos. Ambos não podem coexistir. Na Rússia a ditadura saiu vitoriosa. Desde então não existe mais sovietes naquele país. Tudo o que sobrou deles é o nome e uma espantosa caricatura da sua significação inicial.
O sistema de conselhos do trabalho abarca uma grande parte das formas econômicas empregadas por um socialismo construtivo, que opera por acordo próprio e da à produção o que é necessário para atender todas as demandas da vida... Mas a ditadura é herança da sociedade burguesa, do tradicional jacobinismo francês, que foi levado ao movimento proletário pelos chamados babouvistas e que mais adiante foi tomado por Marx e seus discípulos. A do sistema de conselhos operários está intimamente vinculada em seu desenvolvimento com o socialismo e não se concebe sem este. Em troca, a ditadura nada tem a ver com o socialismo e não pode senão conduzir ao mais estéril capitalismo de Estado.
A ditadura é uma forma definida do poder estatal: o Estado em estado de sítio. Como todos os defensores da idéia do Estado, os da ditadura partem do princípio de que todo o suposto progresso e toda atenção de cada necessidade temporal devem ser impostas ao povo de cima. Este mesmo ponto de partida faz que a ditadura seja o maior obstáculo a revolução social, que necessita, para se realizar, da livre iniciativa e a atividade construtiva do povo. A ditadura é a negação do desenvolvimento orgânico, da estruturação natural efetuada de baixo para cima, é a proclamação da menoridade do povo trabalhador, de uma tutela imposta às massas por uma exígua minoria. Mesmo que seus defensores estejam imbuídos dos melhores propósitos, a lógica férrea dos fatos os conduzirá inevitavelmente ao terreno do mais extremo despotismo, a esse propósito a Rússia nos mostra o exemplo mais claro. E a suposição de que a denominada ditadura do proletariado é algo diferente porque se trata da ditadura de uma classe, não a ditadura de indivíduos, não merece sequer refutação, pois não é mais que um truque sofístico para despistar bobos. É absolutamente inconcebível, qualquer coisa semelhante, a uma ditadura de classe, pois sempre irá supor a ditadura exercida por um determinado que se atribui a faculdade de falar em nome de uma classe, da mesma maneira que a burguesia tratava de justificar todo procedimento despótico em nome do povo.
A idéia de fundar um sistema econômico de conselhos operários foi o contraponto prático do conceito de ditadura do proletariado... Os campeões desta idéia na Primeira Internacional compreenderam que a igualdade econômica é inconcebível sem a liberdade política, em virtude disso estavam firmemente persuadidos de que a liquidação de todas as instituições do poder político deve ser a primeira tarefa da revolução social, tornando impossível qualquer forma de opressão. Acreditavam que a Internacional dos Trabalhadores estava destinada a agrupar gradualmente a todos os autênticos trabalhadores em suas filas, e derrubar ao mesmo tempo o privilégio econômico das classes possuidoras e também todas as instituições políticas coercitivas do Estado capitalista, para substituí-las por uma nova ordem de coisas.

Rudolf Rocker.


Excerto de Rocker, Rudolf. Anarco Sindicalismo (teoria y prática) Barcelona: Ediciones Picazo, 1978, p.33-34. Livre tradução de Thiago Lemos Silva. Disponível em:(http://www.scribd.com/doc/2318063/Rocker-Rudolf-Anarcosindicalismo-teoria-y-practica)




Em Forma De Despedida – Síntese Sobre A Vida E Obra De Edgar Rodrigues


Antônio Francisco Correia, que utilizava o pseudônimo de Edgar Rodrigues, nasceu em Angeiras, ao norte da cidade de Matosinhos, distrito do Porto (Portugal), em 12 de março de 1921, filho de Manuel Francisco Correia e Albina da Silva Santos.
Seu pai era militante anarco-sindicalista e participava do “Sindicato das Quatro Artes”, filiado à Confederação Geral do Trabalho (C.G.T.) e à Associação Internacional dos Trabalhadores (A.I.T.), envolvendo vários ofícios da construção civil de Matosinhos. Seus primos, Armindo da Silva Sarilho e Manuel Sarilho, também pertenciam ao Sindicato.
No final de 1933, esse sindicato foi obrigado a fechar sua sede oficial por causa da repressão da ditadura militar comandada por Antônio Oliveira Salazar. Parte do seu acervo cultural foi guardado na casa da família de Manuel Francisco Correia, onde também passou a realizar-se reuniões noturnas de sua diretoria clandestinamente.
O garoto Antônio Francisco Correia, atrás da porta, escutava com muita curiosidade tudo o que era conversado naquelas reuniões.
Em 1936, a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (P.V.D.E., depois P.I.D.E.), invadiu de madrugada a moradia de Manuel Francisco Correia e o prendeu.
Antônio Francisco Correia foi várias vezes visitar o seu pai no presídio da polícia política, durante as dez semanas em que ele esteve preso, sem nenhum processo ou julgamento. Quando Manuel Francisco Correia foi solto, foi punido mais uma vez ao ser despedido do seu emprego, o que fez a família passar por uma situação econômica muito difícil.
Dois anos depois, Correia (como era chamado pelos mais próximos) escreveu seu primeiro artigo para o diário “Primeiro de Janeiro” (Porto), mas não foi publicado por causa da censura. Nessa mesma época, já havia começado a escrever os rascunhos que formariam seu primeiro livro.
No dia 1º de maio de 1939, Antônio Francisco Correia e alguns amigos faltam ao serviço como forma de protesto (nessa época era proibido manifestar-se no 1º de maio) e reúnem-se para reafirmar as origens anarquistas dessa data, que é um marco universal.
No dia 1º de março de 1940, filia-se ao Grupo Dramático Flor da Mocidade (teatro amador), de Santa Cruz Bispo, município de Matosinhos, onde conhece Ondina dos Anjos da Costa Santos, que foi sua companheira por toda a vida. Também fez parte da diretoria do Grupo Dramático Alegres de Perafita, onde conheceu o histórico militante anarquista José Marques da Costa.
Em setembro de 1946, o anarquista Luis Joaquim Portela e mais cinco presos políticos fogem da Fortaleza de Peniche. Dois anos depois, Antônio Francisco Correia conhece pessoalmente Luis Portela (1) na clandestinidade e ajuda o companheiro a obter documentação falsa, porém, devido uma delação Luis Joaquim Portela é preso novamente (2).
No dia 19 de julho de 1951, Antônio Francisco Correia conhece pessoalmente o notório escritor anticlerical Tomás da Fonseca e, no dia seguinte, para fugir da perseguição política da ditadura portuguesa, embarca para o Brasil.
Assim que chegou ao Rio de Janeiro, conheceu os companheiros: Roberto das Neves, Manuel Perez, Giacomo Bottino, Ida Bottino, Germinal Bottino, Pascoal Gravina, José Romero, Ondina Romero, Angelina Soares, Diamantino Augusto, José Oiticica, João Peres Bouças, Carolina Peres, Ideal Peres, Afonso Vieira e outros...
A pedido dos dois últimos entregou um texto de sua autoria sobre a ditadura em Portugal, que foi publicado no jornal anarquista Ação Direta (3) e logo estava participando do grupo editor do mesmo. Em seguida, com a ajuda de companheiros como Enio Cardoso, Domingos Rojas e Benjamim Cano Ruiz (entre outros), passou a publicar também textos na imprensa libertária internacional e adotou o pseudônimo de Edgar Rodrigues (4).
Entre os dias 9 e 11 de fevereiro de 1953, participou de um encontro anarquista brasileiro, na residência de José Oiticica, onde conheceu outros militantes ácratas que atuavam em São Paulo: Edgard Leuenroth, Adelino Tavares de Pinho, Lucca Gabriel, Osvaldo Salgueiro e outros... Nesse período, também conheceu pessoalmente o escritor e jornalista espanhol Victor Garcia (Tomás-Germinal Gracia Ibars), o poeta e escritor romeno Eugen Relgis e o companheiro paraguaio Ceríaco Duarte.
Publicou seu primeiro livro “Na Inquisição do Salazar” em maio de 1957, pela Editora Germinal, de Roberto das Neves. Tornou-se membro da Sociedade Naturista Amigos de Nossa Chácara (S.N.A.N.C.) (5).
Em 7 de março de 1958, por iniciativa do Grupo Libertário Fábio Luz (6), foi fundado o Centro de Estudos Professor José Oiticica (C.E.P.J.O.), em homenagem ao recém-falecido José Oiticica (22-07-1882 – 30-06-1957), com o propósito de continuar a prolífera obra do valoroso companheiro. O grupo que assinou a ata de fundação do C.E.P.J.O. era composto por: Edgar Rodrigues, Afonso Alves Vieira, Ideal Peres, Esther de Oliveira Redes, Seraphim Porto, Manuel dos Santos Ramos, Francisco de Magalhães Viotti, Germinal Bottino, Fernando Gonçalves da Silva, Pedro Gonçalves dos Santos, Roberto Barreto Pedroso das Neves, Enio Cardoso e Raul Vital (Atayde da Silva Dias).
Entre as atividades do C.E.P.J.O., constavam conferências, cursos e leituras comentadas sobre arte, política, história, vegetarianismo, psicologia, teatro, cinema, literatura, geografia, sociologia e anarquismo. Os convites para as atividades eram feitos na imprensa diária. O Centro também promoveu, em conjunto com outros grupos, comícios do movimento estudantil e uma campanha pela libertação e asilo político do espanhol anarquista José Comin Pardillos.
Outra iniciativa do C.E.P.J.O. foi a criação da Editora Mundo Livre que publicou os seguintes livros anarquistas: “O Retrato da Ditadura Portuguesa” de Edgar Rodrigues (1962), “A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos” de José Oiticica (2ª Edição - 1963), “Anarquismo – Roteiro de Libertação Social” de Edgard Leuenroth (1963), “O Humanismo Libertário e a Ciência Moderna” de Pedro Kropotkine (1964) e “Erros e Contradições do Marxismo” de Varlan Tcherkesoff (1964).
O Centro de Estudos Professor José Oiticica teve uma atuação anarquista durante doze anos (cinco deles sob a repressão da ditadura militar brasileira, 1964-1985), até ser invadido, assaltado e fechado pelas forças armadas (7). As prisões começaram no dia 8, e continuaram nos dias 9, 10, 15 e 21 de outubro de 1969.
Entre os presos, acusados e denunciados estavam: Edgar Rodrigues, Pietro Michele Stefano Ferrua, Ideal Peres, Antonio Costa, Fernando Gonçalves da Silva, Manoel dos Santos Ramos, Paulo Fernandes da Silva, Roberto Barreto Pedroso das Neves, Eli Briareu de Oliveira, Mário Rogério Nogueira Pinto, Antonio Rui Nogueira Pinto, Maria Arminda Sol e Silva, Antonio da Silva Costa, Elisa da Silva Costa, Roberto da Silva Costa e Carlos Alberto da Silva. Foram impronunciados: Michelangelo Privitera e Esther de Oliveira Redes (8).
Militantes anarquistas anônimos (pela conjuntura política da época) de São Paulo e de outras partes do Brasil contribuíram financeiramente com os gastos judiciais, numa grande demonstração de solidariedade libertária. O processo durou até 30 de novembro de 1971.
No mesmo período em que foi vítima desse processo militar, Edgar Rodrigues iniciou, numa atitude pioneira, a publicação de livros resgatando a história do movimento anarquista no Brasil (9), e posteriormente, a história do movimento libertário português (10).
Edgar Rodrigues escreveu 62 livros (entre 1957-2007) publicados, sobretudo, no Brasil e em Portugal, mas também na Itália, Venezuela e Inglaterra (alguns na terceira edição).
Por volta de 1976, participou junto com a companheira Elvira Boni, do documentário “O Sonho Não Acabou” de Cláudio Khans, exibido algumas vezes na televisão e em eventos libertários.
Colaborou com o jornal anarquista O Inimigo do Rei enquanto ele existiu (1977-1988) e também escreveu mais de 1760 artigos na imprensa de 15 países, entre eles: Voluntad (Uruguai), Solidaridad Obrera (França), A Batalha (Portugal), El Libertario (Cuba), Tierra y Libertad (México/Espanha), El Sol (Costa Rica), C.N.T. (França), La Protesta (Argentina), Solidaridad Gastronómica (Cuba), L’Adunata Dei Refrattari (Estados Unidos), Ruta (Venezuela), Reconstruir (Argentina), Voz Anarquista (Portugal), El Libertario (Venezuela) e muitos outros.
Entre abril-maio de 1986, participou do congresso pela reorganização da Confederação Operária Brasileira (C.O.B.), na sede do Centro de Cultura Social de São Paulo, na rua Rubino de Oliveira, número 85, Brás.
Em 21 de agosto de 1986, foi um dos sócios-fundadores do arquivo Círculo Alfa de Estudos Históricos (C.A.E.H.) juntamente com: Nito Lemos Reis, Antonio Martinez, José Carlos Orsi Morel, Jaime Cubero, Francisco Cuberos, Felix Gil Herrera, Liberto Lemos Reis, Fernando Gonçalves da Silva e Ideal Peres (11).
Nesse arquivo deixou boa parte dos materiais de estudo (livros, jornais, fotos, cartas, atas, memórias manuscritas e demais documentos, muitos deles cópias únicas) que reuniu durante toda uma vida dedicada ao resgate da trajetória das atividades anarquistas no Brasil e no Mundo. Conseguiu todo esse acervo visitando velhos companheiros anarquistas, convencendo-os a escreverem suas memórias, entrevistando-os, tendo correspondência com eles, comprando e conseguindo doações desses materiais com militantes históricos do movimento (novamente numa iniciativa pioneira para seus contemporâneos), tais como: Joaquim Fernandes, Manuel Lopes, Luís Saturnino, Manuel Perez, Ideal Peres, José Marques da Costa, José Francisco dos Passos, João Perdigão Gutierrez, Manuel Marques Bastos, Pedro Catallo, João Navarro, Adriano Botelho, Elias Iltchenco, entre outros... (12)
Não obstante, o sofrido esforço de Edgar Rodrigues para adquirir esses materiais e todos os riscos que enfrentou durante a ditadura militar para preservar esses documentos, os membros remanescentes do Círculo Alfa de Estudos Históricos, na pessoa de José Carlos Orsi Morel, trocou as fechaduras do imóvel do arquivo, localizado na rua Gonçalves Dias, número 220, no bairro do Brás (São Paulo), impedindo que Edgar Rodrigues tivesse acesso ao arquivo, para logo em seguida, numa manobra obscura, expulsá-lo da entidade sem direito à defesa, demonstrando uma atitude completamente antagônica com os princípios anarquistas e os conceitos básicos de justiça.
Em abril de 2002, Rute Coelho Zendron fez “Um Estudo Sobre Edgar Rodrigues” pela P.U.C., que virou um interessante vídeo documentário sobre a vida e obra de Edgar Rodrigues (13).
Edgar Rodrigues faleceu na noite de 14 de maio de 2009 (quinta-feira), na sua residência, no bairro do Méier (Rio de Janeiro), devido uma parada respiratória. Deixa esposa, filhos, netos, uma vasta obra anarquista para ser estudada e um grande exemplo a ser seguido.

Marcolino Jeremias



Notas

(1). Ambos tinham trocado correspondência entre 1932-1937, enquanto Luis Joaquim Portela estava preso.

(2). Em 10 de setembro de 1952.

(3). “Fala Um Operário Português” foi o primeiro artigo publicado por Antônio Francisco Correia, o texto saiu no jornal Ação Direta (Rio de Janeiro), número 80, em maio/junho de 1952.

(4). Antônio Francisco Correia também chegou a escrever usando pseudônimos como Varlin, Zola e outros...

(5). A Sociedade Naturista Amigos de Nossa Chácara foi registrada em 9 de novembro de 1939, e o grupo que iniciou o trabalho de construção dela era composto por: Germinal Leuenroth, Nicola D’Albenzio, Virgilio Dall’Oca, Justino Salgueiro, Salvador Arrebola, Antônio Castro, João Rojo, Benedito Romano, José Oliva Castillo, Roque Branco, Antônio Valverde, Cecílio Dias Lopes e Lucca Gabriel. A Nossa Chácara/Nosso Sítio foi uma iniciativa essencial para a reorganização do movimento anarquista no Brasil, após o final da ditadura de Getúlio Vargas, e foi palco de importantes congressos e encontros libertários entre 1948 até o final dos anos sessenta.

(6). O Grupo Libertário Fábio Luz (depois Grupo de Ação Libertária), formado por militantes como: Edgar Rodrigues, Seraphim Porto, Roberto das Neves, Enio Cardoso e Afonso Vieira, existiu entre a morte de José Oiticica e a fundação do Centro de Estudos Professor José Oiticica. Com o passar do tempo após a fundação do Centro, o Grupo Libertário foi absorvido pelo C.E.P.J.O.

(7). Os militares também invadiram moradias, escritórios profissionais, a Editora Germinal e roubaram centenas de pertences desses locais.

(8). Edgar Rodrigues ajudou a esconder Esther de Oliveira Redes num sítio em Jacarepaguá, e através de troca de serviços “comprou” o impronunciamento dela e retirou vários documentos do processo que poderiam comprometer outros companheiros.

(9). Entre os livros clássicos de Edgar Rodrigues que resgatam a história do movimento anarquista no Brasil, estão: Socialismo e Sindicalismo no Brasil (1675-1913) de 1969, Nacionalismo e Cultura Social (1913-1922) de 1972, Trabalho e Conflito (1900-1935) de 1977 e Novos Rumos – Pesquisa Social (1922-1946) de 1978.

(10). Os principais livros de Edgar Rodrigues que refazem a trajetória dos anarquistas em Portugal são: O Despertar Operário Em Portugal (1834-1911) de 1980, Os Anarquistas e os Sindicatos Em Portugal (1911-1922) de 1981, A Resistência Anarco-Sindicalista à Ditadura (1922-1939) de 1981 e A Oposição Libertária em Portugal (1939-1974) de 1982.

(11). Esther de Oliveira Redes não assinou a ata de fundação, mas esteve presente nas reuniões e contribuía para a manutenção do arquivo até comunicar seu desligamento do mesmo.

(12). Conseguiu com Sônia Oiticica, por exemplo, cartas de quando seu pai José Oiticica, esteve preso na Ilha Rasa (Rio de Janeiro) entre 1924-1925.

(13). Outros estudos acadêmicos sobre Edgar Rodrigues foram feitos, entre eles, constam-se: a tese “Edgar Rodrigues: I Tempi e Le Opere” de Marco Mazzeo, Universidade de Nápoles/Itália (2005) e o trabalho de pós-doutorado (monografia) “A Sementeira de Idéias – Edgar Rodrigues Uma Vida Dedicada A Memória Anarquista”, de Anna Gicelle Garcia Alaniz, para a Faculdade de Educação da Unicamp (2008).




Para além de culpados e inocentes: algumas reflexões sobre as relações entre aluno e professor sob a perspectiva do fracasso escolar


No decorrer das aulas de Contextos Educacionais (disciplina do curso de psicologia), pude vivenciar uma prática de observação que me colocou diante de algumas questões que me levaram a refletir sobre as possíveis causas do fracasso escolar.
A instituição escolar que visitei apresentava uma infra-estrutura de ótima qualidade. Uma vez que a mesma continha ambientes espaçosos, desde a área de alimentação até aquela em que os educandos praticam atividades físicas e esportivas. Além do mais, a referida escola, por ser de dois andares, ao invés de fazer uso de escadas, optou por rampas. Fato este considerado de suma importância, já que assim a presente instituição tem condições de incluir aqueles alunos que fazem uso de cadeira de rodas.
Partindo para a observação, propriamente dita, a aula que presenciei foi a de matemática. A mesma se iniciou a partir de uma correção de exercícios. Desse modo, o professor utilizou como principal recurso metodológico o quadro de giz e o livro didático (o qual grande parte dos alunos o possuía). No decorrer da aula eram sempre os mesmos alunos que respondiam as questões que eram propostas pelo professor. Quanto aos demais escolares, os mesmos pareciam dispersos e se inquietavam por qualquer motivo (a chamada feita pelo professor, a comunicação das notas semestrais, por exemplo).
Percebi também que o desinteresse por parte do professor em fazer uso de recursos didáticos que chamassem a atenção dos alunos e, ao mesmo tempo, fossem condizentes com o contexto em que esses escolares se encontram inseridos (apenas no final da aula, ao iniciar um novo conteúdo é que o professor apontou exemplos do cotidiano para explicar a teoria da probabilidade). Nessa mesma direção também é pertinente afirmar que os educandos também se mostravam, de uma forma geral, desinteressados, alheios ao conteúdo ensinado.
Mas, por que os escolares pareciam desinteressados? Seria, em virtude, da forma como o professor conduzia sua aula? Os seus recursos metodológicos? Da mesma forma, também devemos nos indagar, o porquê da falta de motivação por parte do professor. Seriam as altas e exaustivas jornadas de trabalho? Os parcos salários que o mesmo recebe? A insuficiente e precária valorização que os nossos governantes oferecem a ele? Pois, conforme a própria palavra de tal professor aquela turma era “a pior da escola”.
Na direção de tais preocupações, este trabalho tem como objetivo tecer algumas reflexões acerca das possíveis causas do fracasso escolar, tomando como ponto de partida o referencial teórico-conceitual da psicologia e em especial da psicologia escolar.
Como se sabe, a psicologia irá se sistematizar enquanto ciência no decorrer do século XIX. Século este marcado pela ascensão do capitalismo, de uma nova classe social (a burguesia), e também de ideologias liberais. Como diria um chavão para historiadores, cuja autoria geralmente é destinada a Lucien Febvre, “toda filosofia é filha de seu tempo”. Sendo assim, não foi nada fortuito a psicologia ter nascido justamente sob a égide do liberalismo. Mas, o que vem a ser tal ideologia?


O liberalismo, como visão de mundo, está fundamentado na idéia de que cada homem é um ser moral, possuidor de direitos inalienáveis, que lhe são dados pela sua própria condição de homem. Dotado de potencialidades, o homem deve ser livre para desenvolvê-las. Daí a decorrência da valorização do individualismo em detrimento do reconhecimento da totalidade social. (BOCK, 2000, p. 18).




A partir dessa visão de mundo e de homem o liberalismo tenta camuflar a realidade social, na medida em que constrói a idéia de um ser humano a priori (naturalizada) e que seria através de seus próprios esforços é que o mesmo conseguiria “progredir”, “evoluir” (aqui também é perceptível a influencia do positivismo).
Através dessa perspectiva que a psicologia e, de um modo especial, a psicologia escolar irão criar possíveis argumentos quanto ao fracasso escolar, durante o final do século XIX e até o final da década de 70 do século XX. Em outras palavras:


A história das explicações do chamado “fracasso escolar” das crianças das classes populares é feita de uma seqüência de idéias que, em linhas gerais, pode ser assim resumida: na virada do século, explicações de cunho racista e médico; a partir dos anos trinta, até meados dos anos setenta, as explicações de natureza biopsicológica – problemas físicos e sensoriais, intelectuais e neurológicos, emocionais e de ajustamento; dos primeiros anos da década de setenta até recentemente (mais ainda predominante nos meios escolares), a chamada teoria da carência cultural [...] (PATTO, 1992, p.108).


Seguindo ainda o raciocínio de Patto (1992), no mundo da “carreira aberta ao talento” venceriam os “mais aptos”, afirmava o darwinismo social: nesta linha argumentativa, diferenças individuais ou grupais de capacidade estariam por trás das diferenças sociais. Ora, é com este olhar que devemos compreender o fato de que a psicologia ao analisar o fracasso escolar se voltava para questões naturais e biológicas. Assim, o problema sempre se encontrava no indivíduo e não em um contexto social e histórico maior. Nesse sentido, a psicologia, juntamente com suas teorias, será um instrumento ideológico imprescindível para que o capitalismo criasse e elaborasse justificativas a fim de explicar as desigualdades sociais. Desse modo, “a única pergunta possível ao psicólogo refere-se a “porque os indivíduos não aprendem”, apontando para uma ausência de compromisso da Psicologia com a condição multideterminada das circunstâncias nas quais os indivíduos se humanizam” (MEIRA & TANAMACHI, 2003, p.15).
Somente na década de 80 do século XX, é que uma série de críticas vai se delinear em relação ao que foi dito anteriormente. Propondo, assim, novas compreensões para o fracasso escolar, das supostas classes economicamente “desfavorecidas” e, ao mesmo tempo, uma nova inserção do psicólogo no interior do espaço escolar.
Assim, uma concepção crítica da psicologia escolar rompe com o determinismo histórico ao enfatizar a idéia de que não existe um homem a priori, unilateral. Pelo contrário, esses homens e mulheres irão se constituir a partir de suas relações/interações sociais. Ou seja, o contexto histórico em que esse indivíduo se encontra inserido tem muito a dizer sobre o mesmo. Sendo assim, estamos nos reportando a uma visão sócio-histórica, onde se incorpora uma perspectiva de:


[...] homem histórico, isto é, um ser constituído no seu movimento: constituído ao longo do tempo, pelas relações sociais, pelas condições sociais e culturais engendradas pela humanidade. Um ser que tem características forjadas pelo tempo, pela sociedade e pelas relações (BOCK, 2000, p.24).



Na direção de tais preocupações, o fracasso escolar não pode ser entendido apenas do ponto de vista individual, isto é, culpabilizando tão somente o escolar ou tão somente o professor. Uma vez que, o fracasso escolar é fruto de um contexto social maior que perpassa por relações de uma ordem e de uma dimensão que vão além do aluno e do professor. Pois, o processo de ensino-aprendizagem deve de se tornar inteligível a partir de uma concepção teórica que:


[...] nos permita analisar o processo de escolarização e não os problemas de aprendizagem desloca o eixo da análise do indivíduo para a escola e o conjunto de relações institucionais, históricas, psicológicas, pedagógicas que se fazem presentes e constituem o dia-a-dia escolar. Ou seja, os aspectos psicológicos são parte do complexo universo da escola, encontrando-se imbricados nas múltiplas relações que se estabelecem no processo pedagógico e institucional nele presentes. Tal concepção rompe com as explicações tradicionais sobre o fracasso escolar, mudando o foco do olhar de aspectos apenas psicológicos para a análise do individuo e suas relações institucionais (PROENÇA, 2002, p. 192).




Através dessas novas abordagens, o processo de ensino-aprendizagem deve ser encarado levando-se em consideração uma análise dialética e multifatorial. Dialética, porque se estamos nos referindo ao ensino-aprendizagem, estamos nos aludindo a respeito de algo que ocorre de forma recíproca e mútua, onde tanto o educando como também o educador são responsáveis pelo fracasso ou pelo sucesso de tal pressuposto. Multifatorial, por sua vez, porque como já foi salientado o “problema” deve ser deslocado do indivíduo para um contexto maior, que englobe o político, o social, o econômico, o projeto político pedagógico da escola, dentre outros. É nesse sentido, que se torna possível falar em processo de escolarização, em detrimento de problemas de aprendizagem. Uma vez que, os supostos “problemas de aprendizagem” sempre foram usados como um instrumento ideológico pelas classes dominantes, a fim de mascarar e camuflar a realidade social brasileira. Logo:



[...] os problemas de aprendizagem incidem maciçamente sobre as crianças das classes populares, e é sobre elas que durante décadas recaem as explicações a respeito dos chamados problemas de aprendizagem: ou porque apresentam problemas psicológicos, biológicos ou, mais recentemente, culturais. Além disso, analisa o caráter ideológico e repleto de equívocos presentes nessas explicações, resultado de concepções preconceituosas a respeito do pobre e da pobreza no Brasil (PROENÇA, 2002, p.193).


Portanto, cabe ao profissional de psicologia, em especial ao da psicologia escolar, colocar em voga essas novas concepções e, ao mesmo tempo, atribuir um novo sentido para o processo educacional no interior do espaço escolar. Contribuindo, dessa forma, para a formação e constituição de uma realidade social mais justa, digna e humana, onde as desigualdades sociais não sejam ignoradas e/ou camufladas. Mas, sim compreendidas para que os educandos de hoje, futuros adultos (conscientes) de amanhã, possam vir a criar possíveis alternativas de saná-las.

Fernanda Caroline de Melo Rodrigues


Referências:


ANTUNES, Mitisuko Aparecida Makino; MEIRA, Marisa Eugênia Melillo. Psicologia escolar: Práticas críticas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

BOCK, A. M. B. As influencias do Barão de Munchhausen na Psicologia da Educação. In: TANAMACHI, E.; PROENÇA, M.; ROCHA, M. Psicologia e educação: desafios teórico-práticos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.p.11-31.

PATTO, M.H.S. A família pobre e a escola pública: anotações sobre um desencontro. Psicologia USP. São Paulo 3 (1/2), 1992. p.107-121.

SOUZA, M. P. R. Problemas de aprendizagem ou problemas de escolarização? Repensando o cotidiano escolar à luz da perspectiva histórico-crítica em psicologia. In: Trento, D. ; Kohl, M; Rego T.. (Org.). Psicologia, Educação e as Temáticas da Vida contemporânea. 1 a. ed. São Paulo: Editora Moderna, 2002. p.177-196.



Resenha de Minha Pátria é o Mundo Inteiro Neno Vasco, o Anarquismo e o Sindicalismo Revolucionário em dois mundos, de Alexandre Samis, Letra Livre, Lisboa, 2009, 455 págs.

Depois da reedição (fac-similada) de O Socialismo Libertário ou o Anarquismo, de Silva Mendes, a primeira obra teórica de vulto sobre anarquismo que se publicou em Portugal, «Letra Livre» dá-nos agora a biografia de uma das grandes figuras do anarquismo luso-brasileiro, tanto do ponto de vista intelectual como do de actividade militante e, acima de tudo, como exemplo de exigência ética. Este laborioso trabalho de pesquisa empreendido por Alexandre Samis procurou, para além duma exaustiva pesquisa sobre a vida e obra do biografado, situar essa vida nas condições económicas, políticas, sociais e intelectuais da sua época, tanto em Portugal como no Brasil e, em menor medida, no resto do mundo. Neno Vasco que nasceu em Penafiel (1887), foi aos 9 anos com o pai e a madrasta para S. Paulo, onde se demorou cerca de dois anos, quando o Brasil ainda era uma monarquia, e regressou a Portugal para frequentar o liceu (Amarante) e o curso de Direito (Coimbra) onde se graduou em 1901. Em Dezembro desse mesmo ano voltou ao Brasil, já então uma República, onde desenvolveu a actividade militante que iniciara em Coimbra e no Porto. Aí constituiu família, regressando a Portugal em 1911, donde se ausentara no reinado de D. Carlos e que era então uma jovem República. Também aqui um interessante paralelismo entre a evolução política nos dois países. Em Portugal prosseguiu intensa militância, nomeadamente através de constante participação na imprensa operária e libertária. Veio a falecer de tuberculose, algum tempo depois da esposa, a 15 de Setembro de 1920. A sua actividade militante decorreu pois em partes iguais no Brasil e em Portugal, uma década em cada um deles, embora na realidade ele tivesse sempre mantido uma participação activa na imprensa portuguesa quando vivia no Brasil e na imprensa brasileira quando vivia em Portugal. Dificilmente poderia Alexandre Samis escolher melhor exemplo de militante luso-brasileiro. Mas talvez a faceta mais aliciante do livro seja a permanente correlação entre a vida, evolução ideológica e actividade militante de Neno Vasco e as circunstâncias históricas e o ambiente social em que a sua vida e acção decorreram. Essa recriação pormenorizada do meio implicou um enorme trabalho de investigação, com recurso às mais variadas fontes (jornalísticas, literárias, históricas, económicas, sociológicas, correspondência, etc.) que exigiu a consulta não apenas de arquivos nacionais de Portugal e Brasil mas também de arquivos estrangeiros. O carácter erudito desta obra, que foi a sua tese de doutoramento, não apaga a fluidez e vivacidade da biografia, que se lê de um fôlego com curiosidade e interesse constantes. À admiração e amizade que nos liga ao autor não podemos deixar de acrescentar também uma palavra de reconhecimento à Livraria «Letra Livre» por esta meritória iniciativa editorial.

L.G.S.



Notícias libertárias...


Mini-curso sobre anarquismo

Em meio as atividades que irão acontecer durante a Semana de História/X Encontro Regional de Professores de História do Triângulo Mineiro, de 22 a 26 de junho de 2009, na Universidade Federal de Uberlândia/ Campus Santa Mônica, Adonile Ancelmo Guimarães e Thiago Lemos Silva irão apresentar o mini-curso “NÃO SE DEIXAR REPRESENTAR... VIVER A AUTONOMIA: AÇÃO DIRETA E VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA NO PENSAMENTO ANARQUISTA”.
Obs. 1: o valor cobrado pela organização do evento para a inscrição do mini-curso é de três reais. As inscrições poderão ser feitas no site do evento: http://www.semanadehistoria.ufu.br/?conteudo=noticias.php.
Obs. 2: a data, o horário e o local ainda serão definidos pela organização do evento. Posteriormente, estas informações serão repassadas para aqueles que se inscreverem no mini-curso.




Prefeita de Patos de Minas corta o ponto de funcionários


Em virtude da paralisação dos funcionários públicos da Prefeitura de Patos de Minas no dia 07 de maio, a atual prefeita, Béia Savassi, cortou o ponto dos servidores que aderiram a greve. Ao pisotear em cima dos trabalhadores patenses, finalmente a prefeita mostrou a todos para quem realmente governa. Apesar do seu populismo demagógico, Béia Savassi está, como qualquer outro prefeito, governador ou presidente, alinhada com a elite. Esperamos que daqui pra frente os trabalhadores municipais tomem consciência disto. Como já dissemos na edição anterior, toda essa situação só confirma uma das verdades mais banais que existe, qual seja: os trabalhadores só podem obter as conquistas que são capazes de tomar! Portanto, ação direta neles!

Anarquista chileno é assassinado



O companheiro Juan Cruz, jovem anarquista de 28 anos, faz vários meses que junto a sua namorada solidarizava-se ativamente com a luta empreendida pelos comuneiros da zona autônoma de Temucuicui. Hoje de madrugada, foi assassinado em conseqüência de um covarde disparo na nuca e até o momento a "justiça" não deu conta de identificar os culpados; na imprensa do capital, inclusive, chegaram a afirmar que havia sido morto em uma simples briga depois de uma festa.
A verdade é que já faz vários dias que a Comunidade Autônoma de Temucuicui tem sido recorrentemente atacada por outros Mapuche portando armas de fogo. Juan, depois de participar no centro de Santiago, na terça-feira passada, de uma manifestação em apoio a seus irmãos e irmãs, decidiu viajar pela noite a Temucuicui devido a que sua companheira havia sido agredida junto a outras mulheres da comunidade (entre elas a esposa do preso político Jaime Huenchullán) e ameaçada de morte por MIJAIL CARBONE QUEIPUL: essa foi a última vez que tivemos contato com nosso companheiro Juan.
O Estado e suas forças repressivas apesar dos brutais enfrentamentos (que no ano passado eram mensais), do amedrontamento constante, da prisão e da delação, não haviam conseguido frear o processo de recuperação de terras levado adiante dignamente pelas e pelos comuneiros da Comunidade Autônoma de Temucuicui, o que se tornou patente na necessidade de mudar de estratégia: utilizar os Mapuche "institucionalizados" para fazer o trabalho sujo, dedicando-se somente a contemplar tranquilamente como uma parte deste povo assassina a outra que luta. JUAN CATRILLANCA, MIJAIL CARBONE QUEIPUL e o resto de mercenários da "Comunidade" Ignacio Queipul, foram às marionetes dos interesses da CONADI, do Estado Chileno e dos grandes latifundiários em uma das zonas mais intensas do conflito Mapuche. As ameaças de morte, os espancamentos, os ataques armados se repetiram por toda a semana, ainda que a polícia se faça de cega e quando se decidia atuar fazia em favor dos agressores. Não é difícil deduzir quem apertou o gatilho que assassinou o nosso irmão, os antecedentes estão à mão e a conclusão é evidente. A situação em Temucuicui se tornou insustentável, pelo que nossa ativa solidariedade se faz necessária hoje mais que nunca, já que este conflito criado pelo Estado e o Capital pode piorar ainda mais. De nós depende que isto não ocorra.

Por A.N. A - Agência de notícias libertárias.


Antônio Ozai publica livro sobre Maurício Tragtenberg

O livro “Maurício Tragtenberg: Militância e Pedagogia Libertária”, de autoria de Antônio Ozai Silva foi publicado em 2008 pela Editora Unijuí. Segundo Walter Praxedes “O leitor tem em suas mãos um livro que representa um exercício de pedagogia crítica porque rememora para as gerações atuais e futuras o pensamento e a prática do pensador social, educador e ativista político Maurício Tragtenberg, reconhecido por sua atuação libertária nos processos educativos e políticos, tanto no sistema escolar formal, quanto nas redes de movimentos sociais, e sempre empenhado em trazer para o espaço burocrático administrado da universidade a concepção do conhecimento como projeto de emancipação; bem como em realizar uma intervenção política libertária que leve para o restante da experiência social os conhecimentos construídos na universidade. Ao discutir os vários momentos da trajetória pessoal, política e pedagógica de Maurício Tragtenberg, este livro torna explícita a intenção do autor em realizar uma possível continuidade para a pedagogia do exemplo proposta e praticada por Tragtenberg e experienciada diretamente por Antonio Ozaí da Silva, em uma demonstração de que nos processos investigativos e educativos não há sujeitos nem objetos, pois o outrora professor Tragtenberg, com sua ação pedagógica se transforma em tema de um estudo de um ex-orientando, atualmente professor, pesquisador e ativista empenhado em uma política cultural radical, e que através deste trabalho nos propicia uma espécie de sublimação da dor que sentimos com a perda daquele que consideramos o mestre Maurício Tragtenberg”.

Quem quiser adquirir o livro deve entrar em contato com: editorapedidos@unijui.edu.br


Medida judicial impede menores de Patos de Minas de sair após 11:00 da noite

Em Patos de Minas, depois de constatar aumento considerável das ocorrências de violência envolvendo menores de 18 anos, o juiz anunciou que a partir de 1º de junho os que não têm 16 anos estão proibidos de comparecer a lugares públicos depois das 11h da noite. Aqueles que têm entre 16 e 18 anos não podem frequentar bares, restaurantes e outros estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas, desacompanhados dos responsáveis. Os proponentes de tal medida acreditam, de forma equívoca, poder encontrar a resolução deste problema acreditando se tratar apenas de uma questão jurídica. Ora, os problemas jurídicos não existem de per si, como se estivesse desconectados dos problemas econômicos, políticos e culturais que existem em uma sociedade. Para remediar tal problema seria necessário analisar os “delitos” cometidos por estes jovens a partir de uma perspectiva mais integrada, que leve todos estes fatores em consideração, o que parece impossível para os juristas patenses que só conseguem enxergar as coisas a partir da visão estreita do Direito. Logo, a adoção de uma postura mais conseqüente os levaria aceitar a existência de problemas, sobretudo os de ordem econômica, que eles tentam esconder ou negar.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

EIDOS INFO-ZINE # 16

Editorial

Caros amigos,

Neste número, o Eidos traz a publicação de um texto de Neno Vasco a respeito da origem “operária” do anarquismo, mostrando que o pensamento de Bakunin e seus companheiros da Primeira Internacional já era “ sindicalista” desde o seu berço. Traz também um artigo de Thiago Lemos Silva, abordando os alcances e limites da educação segundo o projeto revolucionário de Bakunin. Mais a frente, tem a matéria de Virginia Fonseca sobre o projeto “Dicionário Histórico-Biográfico do(s) Anarquismo(s) no Brasil”, coordenado pela professora Jacy Alves de Seixas, da Universidade Federal de Uberlândia. E por fim, porém não menos importante, o Eidos leva a vocês algumas notícias libertárias.

Boa leitura e anarquizem!


Contatos

Fernanda Caroline de Melo Rodrigues: fernandaanarquista@yahoo.com.br
Thiago Lemos Silva: thiagobakunin@yahoo.com.br


O anarquismo é sindicalista desde o berço: o pensamento de Bakunin, Varlin, Lorenzo e seus amigos sobre o papel e o futuro das associações de resistência.


Se procurarmos, não as origens filosóficas do ideal anarquista, nem a filiação do sentimento libertário nas revoltas e aspirações populares do passado – porque isso perde-se vagamente na noite dos tempos – mas sim o aparecimento dum movimento anarquista definido, do anarquismo operário com todas as características essenciais que tem hoje, vamos encontrá-lo como expressão do movimento operário, vamos encontrá-lo “sindicalista” mesmo antes do termo no seio da Internacional e das associações internacionais de que Bakunin foi o principal inspirador, fundindo e vivificando as idéias marxistas com o pensamento de Proudhon e dos socialistas franceses. Para verificar este acerto, basta ler os escritos daquela época, como, por exemplo, os quatros límpidos artigos publicados por Bakunin, em meados de 1869, no “Egalite” de Genebra, e em 1914 reunidos em folhetos pela “Vie Ouvriere”, sob o seu título original: “A Política da Internacional”. Ou então a brochura de James Guillaume “Idéias sobre a Organização Social”, na mesma época reeditada em italiano por Luis Fabbri e depois pelo órgão da União Sindical Italiana – o primeiro para propaganda anarquista e o segundo para propaganda sindicalista revolucionária.
Na famosa Associação Internacional dos Trabalhadores – a Primeira Internacional – predominou essa idéia que forma o nó vital do sindicalismo revolucionário: que o sindicato operário (dizia-se então “caixa” ou “sociedade de resistência”) é o grupo essencial, o órgão específico da luta de classes e o núcleo reorganizador da sociedade futura, no que ela tem de fundamental, é a organização que – expropriada revolucionariamente a burguesia e destruído o seu órgão político, o Estado, - manterá a continuidade da vida social, assegurando a produção do indispensável.
Como conclusão do segundo dos quatro artigos acima citados, Bakunin escrevia:

A emancipação dos trabalhadores por eles próprios “tem que ser levada a cabo”, diz o preâmbulo dos nossos estatutos gerais. E tem mil vezes razão de o dizer. Essa é a base principal da nossa grande Associação. Mas o mundo operário é geralmente ignorante, falta-lhe ainda inteiramente a teoria. Resta-lhe, portanto, uma única saída: é a da sua emancipação pela prática. Qual pode e deve ser essa prática? Não há mais do que uma: é a da luta solidária dos operários contra os patrões. É a organização e a federação das caixas de resistência.



E o quarto artigo concluía dessa forma:


Ela (a Internacional) estender-se-á e organizar-se-á fortemente através das fronteiras de todos os países, a fim que, em estalando a revolução produzida pela força das coisas, se ache uma força real, sabendo o que deve fazer, e por isso mesmo capaz de se apossar da revolução e de lhe dar uma direção verdadeiramente salutar para o povo; uma organização internacional séria das associações operárias de todos os países, capaz de substituir esse mundo político dos Estados e da burguesia que se vão.


Os amigos de Bakunin na Internacional afirmavam as mesmas idéias. Citemos entre eles Eugénio Varlin, operário encadernador, fundador da sociedade de resistência da sua corporação e da primeira União dos Sindicatos parisienses (Câmara Federal das Sociedades Operárias de Paris), de que foi secretário; depois membro da Comuna, assassinado pelos versalheses em 28 de maio de 1871. Num artigo publicado em Março de 1870 em “La Marseillaise”, depois de mostrar o valor educativo das associações operárias, Varlin, escrevia estas palavras:


Mas são sobretudo as sociedades corporativas ( resistência, solidariedade, sindicato) que merecem os nossos incitamentos e simpatias, pois são elas que formam os elementos naturais da edificação social do futuro; são elas que poderão facilmente transformar-se em associações de produtores; são elas que hão-de poder utilizar a ferramenta social e organizar a produção.


Mais abaixo recordava que:


O congresso da Associação Internacional realizado em Basiléia em Setembro último recomendou a todos os trabalhadores que se agrupem corporativamente em sociedades de resistência, a fim de garantir o presente e de preparar o futuro.
Este e outros princípios essenciais – de organização e de tática – do que depois se chamou “sindicalismo revolucionário” era igualmente formulado nos jornais e congressos regionais em que predominava a fração federalista. Leia-se no interessante livro de Anselmo Lorenzo – “El Proletariado Militante” – o “parecer da Comissão sobre o tema atitude da Internacional com relação à política”, aprovado pelo Congresso de Barcelona (Junho de 1870).
No mesmo livro pode ler-se a tradução dum artigo que percorreu toda a imprensa operária da época e cujo original aparecera em “L’ Internationale”, de Bruxelas. Ocupava-se das “atuais instituições da Internacional consideradas com relação ao futuro” (assim dizia o título) e desenvolvia a idéia que “ a Associação Internacional dos Trabalhadores traz em si o germe da regeneração social”. “ Queremos demonstrar que a Internacional oferece já o tipo da sociedade futura, e que as suas diversas instituições, com as modificações desejadas, constituirão a ordem social que mais tarde há-de reinar”.

Neno Vasco


Excerto do livro VASCO, Neno. Concepção Anarquista do Sindicalismo. Porto: Afrontamento. 1984, p. 75-77.




Anarquismo, educação e revolução: um tema convergente em Bakunin


Antes de principiar minha fala, eu gostaria de agradecer ao professor Marcos Rassi, pelo convite para participar do “1°Colóquio Filosofia e Educação-aproximações”. Ao professor Altamir Fernandes, pela oportunidade de continuar este debate que se iniciou quando ingressei no Curso de História do Unipam, no ano de 2005. E por fim, a todos que se encontram aqui presentes, pela possibilidade do diálogo, que eu espero que não permaneça circunscrito ao âmbito teórico-metodológico, mas, que também alcance o âmbito político-ideológico.
Inicialmente, quando o professor Marcos Rassi me convidou para participar deste colóquio, a proposta original seria abordar as relações entre anarquismo e educação, tornando como ponto de partida a análise de alguns dos paradigmas teóricos e algumas das experiências práticas que, de uma forma ou de outra, fizeram parte da tradição pedagógica libertária. Contudo, na medida em que o formato do colóquio foi se desenhando, eu decidi abandonar essa proposta original, haja vista que um tema tão amplo não poderia ser apresentado em um tempo tão curto. Em virtude disso, eu optei por falar de apenas um pensador anarquista que se ocupou da educação e entrou para o rol da pedagogia libertária, qual seja: o Bakunin.
Mas, antes de proceder essa investigação e analisar o lugar que a educação ocupa dentro da obra de Bakunin, eu passarei, ainda que rapidamente, em revista algumas informações sobre a sua biografia.
Mikhail Aleksándrovich Bakunin nasceu em 18 de maio de 1814 na província russa de Tver, no seio de uma rica familia de proprietários de terras. Desde 1837 começou a estudar a filosofia hegeliana. Em 1840 iniciou o curso de filosofia na Universidade de Berlim, criticando a filosofia especulativa e preferindo a teoria da ação política. De 1843 a 1848 viajou pela Europa, onde conheceu Marx e Proudhon em Paris. Em 1848, participou do Congresso Eslavo em Praga e, no mesmo ano, participou da Revolução Proletária em Paris.
Em 1849 foi preso e condenado à morte por sua participação em uma insurreição em Dresden, mas, sua pena foi anulada e ele foi entregue ao governo russo, onde ficou preso em São Petersburgo e depois, em 1857, foi exilado na Sibéria.Em 1868, de volta a Europa, fundou a Aliança Internacional da Democracia Social, que queria fazer a união com a Associação Internacional dos Trabalhadores,criada em 1864 por Marx. Durante algum tempo as relações entre Marx e Bakunin foram pacíficas. Mas, em 1872, durante a realização do Congresso de Haia, os dois acabaram se desentendendo. O que levou Marx a expulsar Bakunin da Primeira Internacional.
A participação de Bakunin a partir de 1870 na Primeira Internacional, acabou influenciando o proletariado e atraindo mais pessoas, e nesse mesmo período ele começou a criticar o comunismo de Estado, como autoritário. Com o fracasso da Comuna de Paris em 1871, as duas tendências começaram uma briga que a cada ano se agravava, de um lado os socialistas autoritários,e, de outro os socialistas libertários.
Dito de forma muito sucinta: As divergências políticas entre Marx e Bakunin estão embasadas nas diferentes estratégias que ambos formularam e conceberam para a consecução de um objetivo que lhes era comum, qual seja: destruir a sociedade capitalista e construir a sociedade socialista.
Marx acreditava que o processo revolucionário deveria ser conduzido pelos trabalhadores, que, organizados e dirigidos por um partido político, deveriam tomar o poder do Estado e instaurar um governo provisório. Esse governo provisório, denominado de ditadura do proletariado, teria como missão destruir a propriedade privada e socializar os meios de produção entre os trabalhadores. Marx e seus seguidores argumentavam que esse período transitório era de fundamental importância para a consolidação da sociedade socialista. Pois, uma vez que as classes depostas, nesse caso a burguesia, ainda representariam uma ameaça para a revolução, era, portanto, necessário que os trabalhadores se valessem dos meios coercitivos que o Estado dispõe para deter o avanço das forças reacionárias.
Bakunin, por sua vez, acreditava que a revolução deveria ser levada a cabo pelos próprios trabalhadores, que, organizados em seus sindicatos, deflagariam um movimento de amplas greves que se generalizariam por toda a sociedade. No seu desenrolar, a burguesia seria expropriada dos seus bens, os meios de produção seriam socializados e diretamente administrados pelos trabalhadores, através de associações voluntárias tais como comitês de fábrica e conselhos operários, que, livremente federados, se articulariam com a finalidade de substituir o Estado que, depois da Revolução, seria destruído e desalojado da tarefa de gerir o corpo social. Bakunin enfatizava que se no período transitório os trabalhadores entregassem ao Estado, mesmo que este levasse o nome de proletário, todas as fontes da vida econômica e política da sociedade, isso significaria a morte da revolução. Pois, para atingir seus objetivos, esse novo Estado necessitaria do auxílio de um corpo burocrático formado por intelectuais, que se colocariam fora e acima das massas populares, criando, assim, novamente uma sociedade dividida em classes sociais.
Bakunin morreu em 19 de junho de 1875, sem saber o quão atuais foram as suas críticas as futuras “ burocracias vermelhas” do leste europeu e de outras partes do mundo que tentaram implantar o socialismo seguindo o modelo marxista.
Por esses e outros motivos, Bakunin pode ser considerado o prisma por onde irradiou o que mais tarde ficou conhecido como pensamento e movimento anarquista. Nele podemos identificar o anarquismo terrorista, perceber sua influência e também a refutação de alguns de seus princípios coletivistas na formação do anarco-comunismo, tanto o de Kropotkin, quanto o de Malatesta. Também é em Bakunin, que muitas vezes se buscou referência do sindicalismo revolucionário e do anarcossindicalismo. E, por fim, porém, não menos importante, podemos mencionar a contribuição de Bakunin para constituição do conceito de educação integral, que, posteriormente, seria retomado e aprofundado pelos pedagogos anarquistas Robin e Ferrer.
Colocadas essas questões, é possivel avançar um pouco mais na discussão.Como se sabe, os anarquistas, desde Proudhon até Ferrer, passando Bakunin e Robin, sempre atribuíram bastante importância a educação. Para os anarquistas, a importância dada à educação se justificava pela sua concepção de processo revolucionário. Segundo a concepção anarquista, após a revolução, o Estado não deveria ser apropriado e sim destruído. Em virtude disso, rejeitavam a idéia segundo a qual deveria existir um governo revolucionário que promovesse a mediação entre a nova e a velha sociedade. A nova sociedade não poderia ser imposta, mas, sim livremente alcançada pelos diretamente interessados, ou seja: o povo. Na direção de tais preocupações, Leila Floresta de Oliveira, indaga que: “Mas, se a revolução não tem dirigentes, não tem um governo revolucionário, como garantir o êxito da revolução?” (OLIVEIRA, 1997, p.56). E logo adiante responde: “Torna-se, assim, claro o papel da educação como agente formador de mentalidades e vontades libertárias capazes de impulsionar e estimular o processo de mudança e de garantir a continuidade desse processo” (OLIVEIRA, 1997, p.56)
Bakunin, pensador anarquista em torno do qual irei reter minha atenção neste trabalho, nunca realizou uma discussão organizada e sistemática a respeito da educação. No entanto, uma análise mais detalhada e acuida de suas obras demonstra que o libertário russo dedicou certa atenção ao tema educacional, principalmente ao tema da educação integral, que será apresentada, aqui nessa palestra, a partir da perspectiva de uma educação do trabalho.
Nesse sentido, vale notar que os ditos e escritos de Bakunin sobre a educação se inscrevem em um duplo registro: o da crítica ao sistema educacional vigente na sociedade capitalista, por um lado, e o da proposta de um novo sistema educacional na futura sociedade socialista, por outro.
Por ora, irei analisar o primeiro desses dois elementos que compõe a pedagogia libertária, como Bakunin a concebe, qual seja: o da crítica ao sistema educacional vigente na sociedade capitalista.
Em Bakunin nós encontramos uma crítica contundente ao modelo educacional oferecido as classes trabalhadoras no século XIX. Segundo ele, a divisão do trabalho imposta pela sociedade capitalista, depois da Revolução Industrial, criou duas categorias de sujeito: aqueles que pensam e aqueles que executam. A primeira, por ser detentora dos conhecimentos científicos, possui a função diretiva e controla todo o processo produtivo. A segunda, destituída dos conhecimentos científicos necessários para a elaboração do seu fazer, é privada de toda a iniciativa e permanece marginalizada no processo produtivo.
Para Bakunin, as conseqüências dessa divisão do trabalho chega a assumir, muitas vezes, um caráter perverso e insidioso, pois, enquanto a classe dominante se constitui de sábios, a classe dominada se constitui de ignorantes. E a escola, laica ou confessional, ao adotar um ensino bipolar, se converte em instrumento de produção e reprodução das relações sociais que existem no interior dessa sociedade.
Somando-se a isso, Bakunin argumentava que os progressos da ciência, principalmente a partir do século XIX, serviram apenas aos interesses de uma elite. Logo, os progressos materiais e intelectuais do mundo contemporâneo contribuíram, apenas, para aumentar a desigualdade entre os homens e ampliar a dominação. Discutindo os nexos existentes entre poder e saber, Bakunin chama a nossa atenção para o seguinte fato:

Há um fato que deve impressionar os espíritos escrupulosos, a todos que apreciam sinceramente a dignidade humana, a justiça, ou seja, a liberdade de cada um na igualdade e pela igualdade de todos. Trata-se de que todas as invenções da inteligência, todas as grandes aplicações da ciência à indústria, ao comércio e à vida social em geral, só tem sido aproveitada, até agora, pelas classes privilegiadas e à soberania dos Estados, protetores eternos de todas as iniqüidades políticas e sociais, jamais das massas populares. (BAKUNIN, 1979a, p. 34-35)


E avança na discussão colocando em questão que:

O que é que constitui, principalmente, a força dos Estados? A ciência . A ciência de governo... Ciência de tosquiar os rebanhos populares, sem fazer-lhes gritar demasiado e quando começam a gritar, apresentam a ciência de impor-lhes o silêncio, paciência e obediência por meio de uma força cientificamente organizada. (BAKUNIN , 1979a, p. 58)



Outro aspecto contido e expresso na crítica de Bakunin ao modelo educacional, vigente na sociedade capitalista do século XIX, diz respeito ao seu caráter autoritário.
Segundo o modelo pedagógico rousseauniano, que fornece as bases da educação liberal nos oitocentos, o magicentrismo, onde o mestre ocupa o centro, deve ser substituído pelo paidocentrismo, onde o aluno ocupa o centro. Para Rousseau, a criança traz, ao nascer, um conceito inato de justiça e é a sociedade corrompida que a desvirtua. Para impedir que isso ocorra, Rousseau advoga, na sua obra “Emílio”, um tipo de ensino em que as crianças são educadas em completa liberdade, no sentido da ausência de total constrangimentos normativos. Somente dessa forma é que a criança se tornaria, no futuro, um adulto íntegro.
Na verdade, esse modelo pedagógico é, embora não pareça à primeira vista, autoritário de ponta a ponta. Assim como na divisão capitalista do trabalho, os lugares de cada um são rigidamente determinados, reproduzindo o seu conteúdo hierárquico. Como indica corretamente Oliveira, o que ocorre nesse processo:

É apenas uma troca de papéis: onde estava o professor como figura dominante, coloca-se agora o aluno, mantendo-se o princípio da hierarquia. A estrutura da dominação permanece a mesma, o modelo de lugares sociais determinados perdura, apenas invertem-se as posições e faz-se do aluno frequentemente um ditador. (OLIVEIRA, 1997, p.61)

Bakunin, como veremos adiante, encara esse problema a partir de uma outra perspectiva.
Posto isto, irei prosseguir com a apresentação e analisar mais de perto o segundo dos dois elementos que compõe a pedagogia libertária segundo a perspectiva bakuniniana, qual seja: a proposta de um novo sistema educacional para a futura sociedade socialista.
Segundo Bakunin, esse novo sistema deveria ser construído sob a égide do conceito de educação integral. A discussão sobre a educação integral data de um período anterior às preocupações de Bakunin a respeito da educação. Já no segundo congresso da Primeira Internacional, realizado em Lausane, em 1867, o referido item já era objeto de reflexão por parte dos internacionalistas. Sob a batuta de Robin, o debate do tema foi aceito por todos os congressistas, inclusive por Marx. Dentre os itens discutidos, tais como: Funções Sociais, Papel do Homem e da Mulher na Sociedade, Educação da Criança, Liberdade de Ensino, figurava o item Educação Integral, que preconizava um modelo de ensino que se pautasse pela combinação da aprendizagem de caráter teórico e de caráter prático, com vistas a formar um homem completo, que teria condições de trabalhar não só com a mão, mas, também com o cérebro.
Durante o terceiro congresso da Primeira Internacional, ocorrido em 1868, em Bruxelas, Robin não compareceu como delegado, no entanto seu projeto de ensino integral foi adotado. A esse respeito, os internacionalistas deliberaram que:

O congresso, reconhecendo que é impossível no momento organizar um ensino integral, invita as diferentes seções à estabelecer cursos públicos, segundo um programa de educação científica, profissional e produtiva, para remediar, tanto quanto seja possível, a insuficiência da instrução que os proletários recebem atualmente. Fica entendido que a redução das horas de trabalho é considerada como uma condição prévia indispensável (DOMANGET apud VALVERDE, 1996, P.64-65).

Ainda que tardiamente, Bakunin também participou desse debate. A partir de uma série de artigos publicados no jornal “L’ Egalité”, no ano de 1869, sob o título de “A Instrução Integral”, Bakunin apresentou as suas teses que convergem, mas, também divergem daquelas apresentadas por Robin nos primeiros congressos da Internacional.
A reivindicação de Bakunin da educação integral para o povo trabalhador está condicionada a premissa de que todos deveriam receber um ensino que contemplasse tanto conhecimentos teóricos, quanto conhecimentos práticos, pré- requisito básico, argumentava ele, para a abolição da divisão social do trabalho existente na sociedade capitalista. A esse propósito, escreveu que:

Mas estamos convencidos de que no homem vivo e completo cada uma destas duas atividades: muscular e nervosa, devem ser igualmente desenvolvidas e que, longe de se anularem mutuamente, cada uma delas deve apoiar, alargar e reforçar a outra; a ciência do sábio se tornará mais fecunda, mais útil e mais vasta quando o sábio deixar de ignorar o trabalho manual, e o trabalho do operário instruído será mais produtivo do que o do operário ignorante. Donde se conclui que, no próprio interesse tanto do trabalho quanto da ciência, é necessário que não haja mais nem operários nem sábios, mas apenas homens. (BAKUNIN, 1979b, p.38).

Como sugere a leitura do trecho acima, na concepção de Bakunin, a educação integral pode ser dividida em duas partes: uma geral e uma específica.
Na parte geral, deve-se ministrar um ensino cujo foco esteja voltado para o conhecimento a partir da sua perspectiva de conjunto. Essa posição se justifica porque apenas em um segundo momento, quando o aluno já estiver munido de uma ampla gama de conhecimentos, é que ele estará em condições de lidar diretamente com uma área específica do saber.
Essa divisão se dá em virtude de dois fatores: o primeiro, onde o indivíduo recebe uma visão geral, corresponde ao período em que ele toma conhecimento de todas as ciências, o segundo, onde o indivíduo recebe uma visão específica, corresponde ao período em que ele irá optar pela área onde irá trabalhar. A partir dessa proposta o que Bakunin pretende é superar a figura do homem fragmentado, que foi criada e desenvolvida pela divisão capitalista do trabalho.
Com isso Bakunin não pretende, evidentemente, propor um modelo de ensino que uniformize todos os indivíduos. Bakunin tem consciência de que as diferenças individuais existem. Entretanto, ele argumenta que, em virtude da divisão do trabalho existente na sociedade capitalista, essas diferenças individuais são transformadas em desigualdades sociais, e, consequentemente, são operacionalizadas pelas classes dominantes como argumento ideológico para manter o status quo vigente. Contudo, se a divisão do trabalho estivesse organizada de uma outra maneira,e, se desde a mais tenra infância, o indivíduo recebesse uma educação que o possibilitasse realizar tanto trabalhos manuais quanto trabalhos intelectuais, as diferenças individuais, longe de serem ruins, seriam, ao contrário, uma condição para que todos se unissem e se solidarizassem no processo produtivo.
Além do mais, Bakunin acrescia que a socialização do conhecimento científico era um elemento de fundamental importância para a concretização do projeto de educação integral. Apesar de Bakunin criticar a ciência, principalmente em virtude do uso econômico e político em nome da exploração e dominação da classe trabalhadora, ele reconhece a sua extrema importância para o desenvolvimento do ensino integral. Nesse sentido, infere que:

Por essa razão, pela instrução geral, igual para todos e para todas, há de se dissolver a organização social separada da ciência, a fim de que as massas, cessando de ser rebanhos dirigidos e tosquiados pelos pastores privilegiados, possam tomar em suas mãos por seus próprios destinos históricos. (BAKUNIN, 1979c, p.105)


A ciência deveria ser considerada um bem comum, por isso os avanços científicos precisavam estar inseridos nos currículos escolares. Assim, a razão se tornaria um instrumento fundamental para o processo educativo. A racionalidade deveria guiar os conhecimentos adquiridos na escola, de modo que todos tivessem acesso a conhecimentos significativos e importantes para o mundo contemporâneo, tal procedimento forneceria ao proletariado uma educação de qualidade.
Aliás, Bakunin, na condição de um defensor intransigente da liberdade, se opunha a toda e qualquer forma de autoritarismo. Ora, se o objetivo da revolução social é destruir todas as instituições que, além de explorar economicamente, oprimem politicamente os trabalhadores, a escola da futura sociedade socialista não deveria aceitar e reproduzir o molde da escola da sociedade capitalista.
Entretanto, o conceito de liberdade em Bakunin possui um sentido diametralmente oposto ao sentido que o conceito de liberdade possui para os liberais, com quem Bakunin e os anarquistas sempre são, equivocadamente, identificados, ou, pelo menos, aproximados.
Segundo a filosofia política liberal, a liberdade é um fato natural, algo com o qual o indivíduo já nasce, e que a sociedade impede a realização, pois, a liberdade de um indivíduo pode limitar a liberdade de um outro indivíduo. Para resolver esse problema, o Estado deve instaurar a liberdade jurídica, através da lei. Isso acaba por transformar a liberdade em questão puramente formal, que beneficia apenas as classes dominantes.
Já na filosofia política anarquista, da qual Bakunin é um dos intérpretes mais autorizados, a liberdade é um fato social. Ou seja, não nasce com o indivíduo, mas, é conquistada por ele, e pelos demais indivíduos que compõe a sociedade. A esse respeito, Bakunin afirma que: “A liberdade não é um fato individual, mas, um fato coletivo. Nenhum homem poderia ser livre fora e sem o concurso de toda sociedade humana” ( BAKUNIN, 1980, p.17)
Por causa disso, não é possível afirmar que a liberdade na sociedade capitalista seja uma questão real, pois, a liberdade, nesse caso a liberdade dos burgueses, está condicionada à exploração da mão de obra dos trabalhadores.Assim sendo, somente uma sociedade socialista poderia oportunizar a todos os indivíduos, indistintamente, as condições para atingir a liberdade.
Porém, a defesa que Bakunin faz da liberdade, não deve ser confundida com a sua rejeição a autoridade, sobretudo, quando pensada no âmbito escolar. Bakunin, não acreditava que as crianças deveriam ser educadas em completa liberdade, sem ausência de constrangimentos normativos, como reivindicava Rousseau. Ele defendia a autoridade do professor nas primeiras etapas da vida infantil, nesse sentido, a autoridade do professor tomaria a forma daquele que se propõe a orientar, ou seja, mostrar os caminhos que a criança deve trilhar até atingir a maturidade, período onde irá agir de forma totalmente autônoma e independente. A esse propósito Bakunin afirma que: “O princípio de autoridade constitui na educação das crianças o ponto de partida natural: é legítimo e necessário quando aplicada às crianças de tenra idade num momento em que a inteligência não está de nenhum modo desenvolvida” (BAKUNIN, 1989, p.18). Em outro trabalho, completa esse raciocínio, argumentando que: “À medida que as crianças cresçam, a autoridade dará lugar a uma liberdade sempre maior, de modo que, quando chegar à adolescência ela será completamente livre e se esquecerá de que, na infância, teve que se submeter inevitavelmente a uma autoridade" (BAKUNIN, 1980, P114).
Em sua proposta educacional, Bakunin pretendia reconciliar trabalho manual e intelectual, ciência e vida, autoridade e liberdade. Acreditava que todos os homens poderiam alcançar um mesmo grau de educação. No entanto, não devemos nos enganar quanto à importância real que Bakunin outorgava a educação, pois essa era parcial e restrita, nesse ponto ele se distancia de Robin, como vimos anteriormente. Para o anarquista russo, o problema mais importante era o da emancipação econômica, a qual engendraria a emancipação política, moral e intelectual. Ironizando Ferdinand Lassale e os seus seguidores, os quais ele chama, sarcasticamente, de "bons socialistas burgueses", Bakunin defendia que os socialistas deveriam, primacialmente, lutar pela revolução e só depois se preocupar com a educação,e, não o contrário, como argumentavam Lassale e companhia.
De fato, Bakunin se encontra num dilema: o meio no qual desenvolve sua atividade é plenamente influenciado por práticas e idéias que ele combate, mas que também incorpora; ele próprio é fruto deste meio. Como superar esta contradição? Bakunin, põe esta questão nos seguintes termos:

Como iriam (professores e pais) dar aos alunos o que eles próprios não têm? Só com o exemplo é que se prega bem a moral, e, ao ser a moral socialista contrária à moral atual, os professores, necessariamente dominados por esta, fariam diante dos alunos exatamente o contrário do que estariam pregando. De sorte que a educação socialista é impossível nas escolas assim como nas famílias atuais. ( BAKUNIN, 1989 p. 49)

Destarte, somente na futura sociedade socialista, onde já não existiria mais o principio individual da propriedade e os meios de produção seriam postos em comum, é que povo teria, realmente, acesso a educação integral.
Como foi dito anteriormente, Bakunin acreditava que a primeira coisa a ser feita para a emancipação do proletariado era a revolução,e, somente depois, como conseqüência disso, é que viria a educação. Estribado em uma concepção que, a grosso modo, poderia ser chamada de anti-intelectualista, Bakunin argumentava que o povo não deveria ser ilustrado, mas, sim incitado a agir. Consoante a isso, Bakunin partia do pressuposto de que “a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”. Entretanto, como os trabalhadores pouco sabem de teoria, eles devem aprender esse pressuposto na prática. Isto requer, argumentava Bakunin no folheto “A Política da Internacional”, a ação conjunta dos trabalhadores na sua luta contra os patrões e os governantes.
Se analisada a partir dessa última perspectiva, o conceito de educação em Bakunin ganha um outro sentido, muito mais amplo e abrangente. Assim sendo, o processo revolucionário é, em si mesmo, um processo pedagógico. Não se trata, obviamente, de criar uma escola onde se ensine o socialismo, mas, sim de fazer com que as organizações que lutam pelo socialismo tenham um caráter pedagógico. Ao seu ver, não existiria melhor lugar que as associações operárias, em especial os sindicatos, para que os trabalhadores tomassem conta disso. Segundo ele, nos sindicatos os trabalhadores encontram seus companheiros e aprendem a cooperar com os outros em prol dos interesses de sua classe. As lutas por melhorias imediatas, realizadas por meio de greves, tanto as parciais quanto as gerais, fariam com que os trabalhadores adquirissem gradativamente a consciência dos antagonismos existentes dentro das relações entre capital e trabalho, da verdadeira função do Estado, e, conseqüentemente, do papel revolucionário a ser desempenhado na sociedade capitalista.
Essa “pedagogia revolucionária” prepararia e concederia a experiência necessária para que o proletariado realizasse a revolução. Segundo Antônio Valverde:


A orientação bakuninista pôde ser colocada em teste em vários eventos históricos em que os anarquistas estiveram presentes, tais como a Comuna de Paris em 1871, mais tarde na Ucrânia, em 1921, e em todo processo de aprendizagem da Guerra Civil Espanhola, de 1936 a 1939. ( VALVERDE, 1996, p.77)


Os anarquistas que, depois de Bakunin, se ocuparam do tema da educação, adotaram uma postura menos rígida e mais flexível no que se refere essa questão. Robin na França, Ferrer na Espanha e Penteado no Brasil, entre outros, acreditaram ser possível colocar em prática os princípios pedagógicos libertários, estivessem eles vinculados ou não a educação profissional, mesmo na sociedade capitalista. A despeito desse novo posicionamento, os anarquistas não eram ingênuos ao ponto de supervalorizar o papel que a educação poderia desempenhar no processo revolucionário. Todos eles entendiam a ação educacional como um complemento da luta social, não como seu substituto, como a primeira vista poderia parecer.
N a atualidade, a questão vinculada à educação profissional, também conhecida como educação politécnica, tem sido um dos principais itens em pauta nos debates educacionais. Educadores e políticos preocupados com a proposta da educação pelo trabalho, propuseram que a educação profissional fosse a base do ensino médio, tal como atestou os debates prévios à votação da nova lei de Diretrizes e Bases da Educação, em 1996.
De modo geral, a educação profissional tem sido percebida como uma expressão da teoria marxista na área educacional, como é possível notar ao analisar a obra de educadores da envergadura de um Dermeval Saviani, por exemplo No entanto, a reivindicação dessa herança não é feita apenas pelos marxistas. De acordo com Silvio Gallo, essas discussões são compartilhadas por outras correntes do pensamento socialista, e, inclusive, são anteriores e mais profundas do que aquelas que foram desenvolvidas por Marx e seus seguidores. A esse propósito, Gallo destaca que:


Dentre estas vertentes do pensamento socialista, os anarquistas sempre deram grande importância à educação- o que os levou a ganhar a fama de “idealistas” ou mesmo de “ utópicos”. Assim, a questão da politecnia é vista de modo muito especial entre os anarquistas. (GALLO,1993, p.34)

Retomando e aprofundando as questões levantadas por Bakunin e seus sucessores sobre a pedagogia libertária como um todo, e, não apenas uma de suas facetas, como procurei fazer aqui nesta palestra, Gallo argumenta que a discussão se a revolução educará as massas, ou, se as massas deverão ser educadas para a revolução encerra um falso problema. Pois:


as duas coisas estão juntas e acontecem simultaneamente: é óbvio que uma sociedade libertária deve educar para a liberdade, mas uma sociedade assim só pode existir se as massas lutarem para a sua construção, o que só farão se estiverem conscientes de sua necessidade, consciência esta que se adquire- ou não- pela educação ( seja via instrução, seja via educação política nos meios operários) ... no momento em que educamos para a liberdade e a igualdade, no seio de uma sociedade de exploração e desigualdade, já estamos realmente fazendo a revolução ( GALLO, 1995, p.67)


Contudo, acredito que devemos ficar atentos no que concerne o caráter unilateral e simplista de alguns projetos, que vêem na educação profissional e na educação em geral, um instrumento capaz de superar todas as contradições geradas pela sociedade capitalista. Diferentemente de Cristovam Buarque, para quem a educação pode mudar o mundo, nós, educadores ou não, devemos reconhecer que a educação desempenha um papel pequeno em todo e qualquer processo de transformação social. Pequeno, mas, não nulo. Se a educação não pode mudar o mundo, ela pode, ao menos, mudar as pessoas e as pessoas, podem, como já dizia Paulo Freire, mudar o mundo.


Thiago Lemos Silva.




Este texto foi apresentado no “1° Colóquio Filosofia e Educação-aproximações”, no dia 06 de maio de 2009, no Centro Universitário de Patos de Minas. A palestra “Bakunin e a Educação” obteve uma ótima recepção por parte do público presente, formado por estudantes, professores e membros da comunidade. Nós, do Eidos, esperamos que esta oportunidade sirva para uma maior inserção do anarquismo não apenas no âmbito acadêmico, mas, também no âmbito social e político de Patos de Minas.





Referências

BAKUNIN, Mikhail. La Instruccion Integral, Barcelona: Pequena Biblioteca Calamus Scriptorius, 1979a.
_______. Dios y el Estado. Barcelona: Júcar, 1979b.
_______. O Socialismo Libertário. São Paulo: Global, 1979c.
_______. La Liberdad. Mardid: Júcar, 1980.
_______. et al. Educação Libertária. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.
_______. A dupla greve de genebra. São Paulo: Imaginário, 2007.
GALLO, Silvio. Politecnia e Educação: a contribuição anarquista. In: Pró-posições, vol. 4, n°3, Campinas: Unipcamp, dez. 1992.

_______. Pedagogia do Risco. Campinas: Papirus, 1995.

LEVAL, Gaston. Bakunin: fundador do sindicalismo revolucionário. São Paulo: Imaginário, 2007.

OLIVEIRA, Leila Floresta. Educação Libertária: paradigmas teóricos e experiências pedagógicas. Dissertação (Mestrado em Educação). UFU, Uberlândia, 2001.

VALVERDE, Antônio. Pedagogia Libertária e Autodidatismo. Tese (Doutorado em Educação) Unicamp, Campinas, 1996.





Anarquismo reconstruído

Dicionário histórico-biográfico reconta a história deste movimento no Brasil

O espanhol José Romero desembarcou no Brasil em 1890, aos dois anos de idade, aqui estabeleceu residência durante 29 anos, teve filhos e trabalhou como operário têxtil. Edgard Leuenroth, filho de farmacêutico alemão, nasceu no ano de 1881, em Mogi-Mirim (SP), trabalhou como menino de escritório, balconista, aprendiz de tipógrafo e jornalista. O professor José Oiticica era brasileiro, nasceu em 1882, na cidade de Oliveira, Minas Gerais, foi também poeta, teatrólogo e filósofo. Estes três homens têm muito em comum, além do fato de terem vivido no mesmo momento histórico. Eles compartilharam idéias e valores: fizeram parte do chamado movimento anarquista, que se desenvolveu no Brasil nas primeiras décadas do século XX.
Estes são apenas alguns, entre as dezenas de personagens que terão suas minibiografias registradas no Dicionário histórico-biográfico do anarquismo(s) no Brasil, obra que está sendo preparada a partir dos resultados de estudos sobre o anarquismo no Brasil, coordenados pela professora Jacy Alves de Seixas, da Universidade Federal de Uberlândia.
Por meio da atuação dos militantes, o trabalho desvenda os caminhos e as peculiaridades do movimento no país.
O anarquismo nasceu na Europa, em meados do século XIX, junto com o marxismo e outras correntes socialistas.
O movimento, que tem como princípio a luta de classes e a ação direta, teve seus antecedentes em alas radicais da Revolução Francesa e ganhou força a partir da Revolução Industrial, com o desenvolvimento do capitalismo. Os anarquistas defendem a ausência de governo, a liberdade individual e a igualdade social, razão pela qual combatem fortemente o capitalismo. “Desde o início, o anarquismo era um questionamento da representação política, o poder de falar e agir não devia ser delegado. Esse é o principal ponto em que diverge do socialismo”, explica Jacy Seixas.
No Brasil, seu surgimento, nas primeiras décadas do século XX, coincide com um momento de grande imigração, com a explosão demográfica, a criação dos bairros operários e o emprego da mão-de-obra livre no desenvolvimento da economia cafeeira e da indústria incipiente. “Queremos reabrir a discussão sobre o primeiro movimento operário no Brasil, que é o anarquista”, constata a professora.
Os estudos sobre o anarquismo no país são, segundo os organizadores do dicionário, ainda insatisfatórios.
A historiografia aponta uma visão estreita, que tende a mostrá-lo como um movimento que não passou de uma utopia de começo de século, que não conseguiu alcançar de maneira suficiente os meios operários e perdeu apoio popular, sucumbindo perante o Estado. O trabalho propõe, por meio de registros da época, uma nova forma de ler essa página da história, partindo dos personagens que dela participaram. “Valorizamos cada indivíduo que fez parte daquele momento e que, por meio das pesquisas, pôde ser localizado, e não apenas dos líderes e os que obtiveram maior destaque”, conta. A idéia é registrar experiências e perfis anarquistas para mostrar o movimento, abrindo possibilidades de novas pesquisas.
Uma das visões que o estudo desconstrói em relação ao anarquismo é a de que ele seja uma idéia externa à realidade brasileira, pregada por uma minoria de militantes que vinham de outros países. A identificação com imigrantes era, na época, inclusive uma maneira de desqualificar o movimento. Segundo a pesquisadora, não se pode minimizar a contribuição do estrangeiro na construção das manifestações operárias brasileiras, ainda mais considerando sua presença efetiva na formação das próprias classes proletárias, mas os registros mostram que os militantes não eram apenas imigrantes, muitos eram brasileiros e vinham, sobretudo, do movimento republicano. Os ativistas apresentam múltiplos perfis, que contribuem para a construção do anarquismo. Alguns iniciam desde a juventude seu engajamento, outros aderem já na maturidade, a partir do contato com a literatura libertária, ou com a realidade dos trabalhadores, incluindo tanto militantes que vieram de outros países, quanto pessoas nascidas ou que se formaram, politicamente, no país.
Além disso, o anarquismo prezava, independentemente de nacionalidade, a luta dos trabalhadores contra o sistema capitalista. Assim, o envolvimento dos imigrantes nas questões sociais não estaria vinculado à sua origem, mas à sua inserção na sociedade brasileira e ao desejo de transformação social.

Cultura Nacional

O discurso anarquista opunha-se diretamente aos valores do capitalismo, a toda atitude e estilo de vida que fossem associados a valores “burgueses”. No Brasil, essa oposição manifestava-se em relação ao catolicismo, ao baile, ao futebol e às bebidas alcoólicas.
Jornais e outros registros da época mostram que o anarquismo, como movimento social e político, consegue penetrar no Brasil e desenvolve, no país, características próprias. Os anarquistas atuam não apenas por meio da divulgação dos ideais libertários, mas organizam um expressivo sindicalismo e associações diversas, como ligas de inquilinos, de bairro, grupos de teatro, centros de estudos, entre outras. “Além de comícios e greves, eles criam vias de convivência, como centros de cultura, onde mesclam diversão e politização, festas-propaganda, piqueniques, publicam jornais e panfletos para divulgar assuntos diversos que dizem respeito à vida operária”, conta Jacy Seixas.
Essa diversidade de práticas é vista pelos pesquisadores como um indício de que as idéias libertárias atingiram um grande número de pessoas, entre homens e mulheres de distintas nacionalidades, ocupações e condições socioeconômicas, que acabam se tornando militantes ou simpatizantes.
A incorporação de idéias como o antimilitarismo, a preocupação com o papel da mulher, a defesa da liberdade sexual, entre outras, no cotidiano das pessoas aponta a existência de uma “cultura anarquista”, já que alguns desses traços ultrapassam os limites do movimento operário e permeiam outras dimensões da vida de homens e mulheres que não se dizem anarquistas.
De acordo com Jacy Seixas, o anarquismo nasce das relações humanas existentes naquele período e da luta pela emancipação social travada dentro de um contexto. Ele tem uma formação histórica, e não pode ser caracterizado como mera ideologia propagada por “agitadores estrangeiros”.
A estratégia operacional proposta para promover a transformação social era a “ação direta”, que prega a atuação livre e espontânea da pessoa, preservando sua autonomia. O próprio indivíduo deve agir para alcançar seus objetivos, e não obtê-los por meio da ação de terceiros, pois, para eles, quem dá o poder de decisão a outros não é livre. “Baseados nesse princípio, eles criam o primeiro sindicalismo no Brasil”, conclui Seixas.
Virgínia Fonseca
Fonte: Revista Minas Faz Ciência Nº 24 (dez de 2005 a fev de 2006)
Disponível em: http://revista.fapemig.br/materia.php?id=413 .


Notícias libertárias.....

Nota de falecimento de Edgar Rodrigues

Informamos com profunda tristeza o falecimento do escritor anarquista, militante e associado do Centro de Cultura Social, Edgar Rodrigues.Sua morte se deu por volta das 20h de ontem, 14/05, devido a uma parada cárdio-respiratória. O corpo será cremado entre sábado e domingo sem cerimônia, como ele queria. Autor de dezenas de obras e centenas de artigos sobre a história e as idéias anarquistas no Brasil e em Portugal, Edgar foi o maior e o mais importante difusor da cultura libertária desde o final dos anos 1960 quando publicou, sob a ditadura militar, a trilogia tornada clássica e indispensável em nossos dias: “Socialismo e Sindicalismo no Brasil, 1675/1913”, “Nacionalismo e Cultura Social, 1913-1922” e “Novos Rumos, 1922-1945”. Edgar foi também fundador e um dos principais fomentadores do arquivo atualmente em posse do Círculo Alfa de Estudos Históricos (Grupo Projeção), para o qual, não obstante sua obscura expulsão, destinou partes substanciais de seu precioso acervo pessoal reunido ao longo de uma vida e com duros esforços.A jovem geração anarquista que surge em meados dos anos 1980 juntamente com a reabertura do Centro de Cultura Social de São Paulo, certamente não saberia passar sem Edgar Rodrigues. Esta geração lhe é grata pela generosidade com a qual ele sempre soube lidar com o patrimônio cultural do anarquismo e por seu trabalho incansável de resgate da história e da memória anarquista. Edgar que se foi aos 88 anos estará sempre presente para nós por meio de suas obras, por sua tenra lembrança e por uma vida dedicada ao anarquismo.

Fonte: http://www.ccssp.org/



Greve dos servidores públicos municipais em Patos de Minas

Em virtude da recusa da atual prefeita, Béia Savassi, de atender as suas demandas, na manhã do dia 07 de maio, os servidores públicos da prefeitura municipal de Patos de Minas entraram em greve. Desde o início do ano, os funcionários públicos estão reivindicando um aumento de 15% em seus salários. Em contrapartida, o índice proposto pela administração de Béia Savassi é de apenas 3%, o que, evidentemente, não agradou os trabalhadores municipais.
Os servidores municipais patenses, que reclamam perdas salariais de 26% acumuladas nos últimos anos, rejeitaram a proposta da Prefeitura e se mostraram dispostos a brigar por melhores salários.
Na realidade, toda essa situação só confirma uma das verdades mais banais que existe, qual seja: os trabalhadores só podem obter as conquistas que são capazes de tomar! Portanto, ação direta neles!


Livro sobre Neno Vasco Acaba de ser Publicado


A Livraria e editora Letra Livre acaba de publicar, numa pequena tiragem, a obra de pesquisa histórica, «Minha Pátria é o Mundo Inteiro» do historiador brasileiro Alexandre Samis sobre Gregório Nazianzeno Moreira de Queirós e Vasconcelos, mais conhecido por Neno Vasco (1878-1920), um intelectual que actuou nos meios operários em Portugal e no Brasil com particular importância na imprensa sindicalista da época. Apesar da sua morte prematura destacou-se como um dos mais importantes militantes libertários do começo do século XX, sendo autor do livro «A Concepção Anarquista do Sindicalismo». Nascido em Penafiel em finais do século XIX, formou-se em direito na Universidade de Coimbra e viveu no Brasil e em Portugal tendo um importante papel na animação de inúmeros jornais operários sendo uma das principais referências do movimento sindical do começo do século XX em Portugal e no Brasil. «Minha Pátria é o Mundo Inteiro. Neno Vasco, o Anarquismo e o Sindicalismo Revolucionário em Dois Mundos». Alexandre Samis. Letra Livre, Lisboa, 2009. 455pp.

Fonte:http://www.midiaindependente.org/pt/red/2009/04/444307.shtml.




Semana da Luta antimanicomial em Patos de Minas

De 18 a 20 de Maio, diversos profissionais, que, integram o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), de Patos de Minas, promoveram uma série de debates e reflexões, em torno do movimento antimanicomial. Tal movimento vem ganhando, nas últimas décadas, a sensibilização e a adesão tanto dos profissionais da área da saúde, dentre eles, psicólogos, psiquiatras, enfermeiros... como também de toda a comunidade, seja aquela que tenha ou não, algum tipo de vínculo com pessoas com sofrimento psíquico.
Sendo assim, este evento vem nos mostrar uma conquista significativa, no que se refere às novas possibilidades de tratamento que podem ser oferecidas aqueles que sofrem desta patologia.



Programação do Centro de Cultura Social – São Paulo

Seminário: Pedagogia, sujeito e resistências: verdades do poder e poderes da verdade – 1 ° Semestre de 2009.

A modernidade conheceu um dos maiores investimentos do poder sobre a verdade ao constituir seus maiores regimes políticos indexados e organizados explicitamente em filosofias: a Revolução Francesa e o Império napoleônico foram rousseaunianos; o Estado prussiano encontrou em Hegel seu teórico; Marx foi a fonte de inspiração do Estado soviético. Foram Estados que estabeleceram reflexões sobre si, organizaram-se e definiram suas escolhas a partir de proposições, sistemas e verdades filosóficas que são historicamente localizáveis. Neste limiar de modernidade, as verdades do poder tiveram seu mais alto grau de intensidade sobre a vida. No entanto, desde a queda dos regimes totalitários não cessou-se de celebrar o fim das grandes verdades filosóficas. A história mostrou o quanto é perigoso um regime político que pretende prescrever a verdade; mas, de outro lado, como afirmou Foucault, “nada é mais inconsistente que um regime político indiferente à verdade.” (Michel Foucault, Dits et écrits vol.II, p. 1497) Assim, se na governamentalidade dos regimes totalitários a verdade do poder, intangível e inevitável, era o elemento imobilizador; hoje, o poder da verdade parece constituir o instrumento fundamental das democracias: o cidadão como sujeito político responsável é impensável sem relações com a verdade, sem a inscrição pedagógica nos corpos. Tomando as pedagogias como práticas de disciplinarização das visões de mundo, dos sentidos e das maneiras de agir e falar, este seminário convida ao estudo das conexões entre epistemológico e político, dos regimes de verdade que nos atravessam hoje.

09/05: O Feudalismo Acadêmico, com Nildo Avelino (Doutor em Ciências Políticas pela PUC-SP, pesquisador no Mo.Dy.S das Universités Lumière-Lyon 2 e Jean Monnet, autor de Anarquistas: ética e antologia de existências – Rio de Janeiro: Achiamé, 2004 –, associado ao CCS).

23/05: Anarquia de Proudhon: na série política [autoridade e liberdade]: alógica do absoluto: eu, com Natalia Montebello Doutoranda em Ciências Políticas pela PUC-SP, pesquisadora noNu-Sol, associada ao CCS.

06/06: Sociedade de controle, universidade e perspectiva ambiental: capturas e resistências, com Ana Godoy (Pesquisadora, Doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP, Pós-Doutora pela Faculdade de Educação da UNICAMP, autora de A menor das ecologias – São Paulo: EDUSP, 2008).

20/06: Por uma Pedagogia Menor - subjetividades experienciantes e experiências deslizantes, com Gláucia Maria Figueiredo (Doutoranda FE-UNICAMP, pesquisadora FAPESP, participante dos Grupos de Estudos e Pesquisas - Dis/Transversal/GePed/UNICAMP, prof.ª nas Faculdades Network – Sumaré – São Paulo).

27/06: Acerca de uma “pedagogia” da insubmissão, com Carlos José Martins (prof. na UNESP/Rio Claro, Doutor em Filosofia pela UFRJ, autor de "A vida dos corpos e das populações como objeto de uma biopolítica na obra de Michel Foucault". In: O legado de Foucault. São Paulo: UNESP, 2006, v.1, p. 177-198; “Utopias e heterotopias na obra de Michel Foucault: pensar diferentemente o tempo, o espaço e a história”. In: Imagens de Foucault e Deleuze: ressonâncias nietzscheanas. Rio de Janeiro: DP&A, 2002, p. 85-98.
Fonte: http://www.ccssp.org/.


Colóquio 200 Anos de Proudhon 26 e 27 de maio / 2009 RIO DE JANEIRO - RJ

Há dois séculos atrás, em 15 de janeiro de 1809, na cidade de Besançon naFrança, nasce Pierre-Joseph Proudhon, um menino que no seio simples de umafamília de artesãos, trabalhou como vaqueiro, saiu do campo ainda jovempara o oficio de tipógrafo, onde daria início a suas leituras, ganhou umaespécie de bolsa de estudos, mas foi duramente perseguido por sua produçãointelectual. O que é a Propriedade?, publicado em 1840, foi o primeiroensaio entre muitas outras obras polêmicas escritas por esse pensador, queinfluenciou grupos de trabalhadores na luta em defesa da autogestão, dofederalismo e da liberdade. Passados 200 anos, seus escritos continuamservindo de ferramenta para a emancipação social, para aqueles quereconhecem esse homem como “O Pai da Anarquia”.A realização de um “COLÓQUIO 200 ANOS DE PROUDHON” visa apresentar estepensador aos setores dos movimentos sociais e comunidades acadêmicas quese interessem por ter contato com a vida e a obra de Proudhon, explorandodiversos temas como: “Proudhon e a Dialética”, “O mito da classe produtivaem Proudhon”, “A Contribuição de Proudhon para o Brasil”, “Crítica àPropriedade pelo Movimentos Sociais”, “Proudhon e a Franco-Maçonaria”,“Proudhon e Educação”.


PROGRAMAÇÃO: O evento será realizado nos dias 26 e 27 de Maio de 2009, com quatro mesas temáticas distribuídas em dois dias seguidos, uma terça-feira e uma quarta-feira.
* 26 de maio, terça.Biblioteca Central da UNIRIO, Sala de Multimídias: Av. Pasteur, 436. URCA
09h às 12h
Milton Lopes / Robledo Mendes da Silva / Silvério Augusto Moura Soares de Souza
14h às 17h Angela Maria Souza Martins / Leo Vinicius Maia Liberato
* 27 de maio, quarta. Sala Evaristo de Moraes Filho (109) / IFCS- UFRJ Largo de São Francisco,01.
Centro 09h às 12h
Milton Lopes: “A Contribuição de Proudhon para o Brasil” /Robledo Mendes da Silva:
“Proudhon e a Franco-Maçonaria” / Silvério Augusto Moura Soares de Souza: “Proudhon e Educação”
14h às 17h Angela Maria Souza Martins: “Proudhon e a Dialética” / LeoVinicius Maia Liberato: “O mito da Classe Produtiva em Proudhon” / RafaelBorges Deminicis: “Crítica à Propriedade pelos Movimentos Sociais”
PARTICIPANTES DAS MESAS:Angela Maria Souza Martins (Profa Dra. da UNIRIO/NEB-NEPHEB)Leo Vinicius Maia Liberato (Pós-Doutorando Universidade de São Paulo)Milton Lopes (Jornalista, CIRA-Brasil, NPMC, GEA-NEC-UFF)Rafael Borges Deminicis (Mestrando Universidade Estadual do Norte Fluminense)Darcy Ribeiro,UENF (Membro fundador do GEA-NEC-UFF)Robledo Mendes da Silva (Mestrando em Educação UNIRIO/NEB-NEPHEB, Membrodo NPMC e CIRA-Brasil)Silvério Augusto Moura Soares de Souza (Mestre em EducaçãoUNIRIO/NEB-NEPHEB)

COMISSÃO ORGANIZADORA NEB-NEPHEB/UNIRIOAMORJ/IFCS/UFRJNPMC/CIRA-B